38 Parlendas do Folclore Brasileiro para Aprender
As 38 parlendas do folclore brasileiro reunidas neste artigo mostram como a tradição oral permanece viva nas escolas, nas famílias e nas brincadeiras infantis. Marcadas por rimas, ritmo, repetições e jogos de palavras, as parlendas infantis ajudam a desenvolver a fala, a memória, a escuta e a convivência. Mais do que versos divertidos, elas são expressões da cultura popular, transmitidas entre gerações e adaptadas conforme cada região do país.
O que são parlendas e por que fazem parte do folclore
Parlendas são textos curtos, geralmente rimados, recitados de memória em situações de brincadeira, escolha de participantes, desafio de pronúncia ou simples diversão. Elas pertencem ao patrimônio da tradição oral, pois circulam principalmente pela fala, e não por uma autoria individual identificada. Por isso, uma mesma parlenda pode apresentar palavras diferentes em estados, cidades ou até em turmas distintas.
No contexto do folclore nacional, as parlendas registram modos de falar, imagens do cotidiano, personagens populares e formas coletivas de brincar. Elas costumam dialogar com cantigas de roda, adivinhas, quadrinhas e trava-línguas, embora tenham funções próprias. Enquanto um trava-língua prioriza sons difíceis, por exemplo, a parlenda pode servir para marcar ritmo, contar, decidir quem começa uma atividade ou acompanhar movimentos corporais.
O estudo dessas manifestações é valorizado por instituições dedicadas à memória cultural. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) destaca a relevância dos saberes e das práticas culturais transmitidos socialmente. Já o Ministério da Educação oferece referências e políticas que reconhecem a importância da cultura, da linguagem e das experiências lúdicas na formação das crianças.
Como as parlendas contribuem para a aprendizagem
Em casa e na escola, as rimas populares podem ser utilizadas de forma planejada e prazerosa. A repetição favorece a consciência sonora da língua, isto é, a percepção de sílabas, rimas e sons iniciais das palavras. Esse processo tem relação importante com a alfabetização, pois amplia a atenção das crianças à estrutura oral do português antes e durante a aprendizagem da escrita.
As parlendas também fortalecem a expressão oral. Ao recitar coletivamente, a criança experimenta entonação, pausas, velocidade e projeção da voz. Ao brincar em duplas ou grupos, aprende a esperar a vez, seguir combinados e respeitar diferentes formas de fala. Para educadores, uma estratégia produtiva é apresentar o verso oralmente, convidar a turma a completar trechos e, depois, explorar a versão escrita em cartazes, cartões ou cadernos.
Outra possibilidade é transformar as brincadeiras tradicionais em propostas interdisciplinares. Uma parlenda com números pode apoiar contagens; uma que mencione animais pode abrir uma conversa sobre natureza; outra, com alimentos, pode estimular vocabulário e hábitos culturais. O essencial é não reduzir o texto popular a um exercício mecânico: vale contextualizá-lo, ouvir versões familiares e reconhecer que a oralidade possui valor literário, histórico e afetivo.
38 parlendas do folclore brasileiro para recitar
A seguir, estão 38 exemplos conhecidos. Algumas versões podem variar regionalmente, característica natural da tradição oral brasileira.
- Uni, duni, tê, salamê, minguê, um sorvete colorê.
- Um, dois, feijão com arroz; três, quatro, feijão no prato.
- Hoje é domingo, pede cachimbo; cachimbo é de barro, bate no jarro.
- Corre cotia na casa da tia; corre cipó na casa da avó.
- Rei, capitão, soldado, ladrão; moça bonita do meu coração.
- Lá em cima do piano tem um copo de veneno; quem bebeu morreu, o culpado não fui eu.
- Cadê o toucinho que estava aqui? O gato comeu.
- Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão.
- Chuva e sol, casamento de espanhol; sol e chuva, casamento de viúva.
- Quem cochicha, o rabo espicha; come pão com lagartixa.
- Enganei um bobo na casca do ovo.
- Quem não sabe contar não deve contar; quem sabe contar conta comigo.
- Macaco foi à feira, não teve o que comprar; comprou uma cadeira para a comadre sentar.
- O sapo não lava o pé, não lava porque não quer.
- Fui no mercado comprar café; veio a formiguinha e subiu no meu pé.
- Serra, serra, serrador; serra o papo do vovô.
- Palma, palma, palma; pé, pé, pé; roda, roda, roda; caranguejo peixe é.
- O rato roeu a roupa do rei de Roma.
- Pedro tem o peito preto; o peito de Pedro é preto.
- A aranha arranha a rã; a rã arranha a aranha.
- Três pratos de trigo para três tigres tristes.
- Casa suja, chão sujo.
- O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem.
- Quem a paca cara compra, paca cara pagará.
- Em cima do piano tem um gato; quem caiu foi o rato.
- Fui à Espanha buscar o meu chapéu; azul e branco, da cor daquele céu.
- Meu chapéu tem três pontas; tem três pontas o meu chapéu.
- Um homem bateu em minha porta e eu abri; senhoras e senhores, ponham a mão no chão.
- Passa, passa, gavião, todo mundo passa; só não passa quem tiver dinheiro na praça.
- Escravos de Jó jogavam caxangá; tira, põe, deixa ficar.
- A galinha do vizinho bota ovo amarelinho.
- O cravo brigou com a rosa debaixo de uma sacada.
- Peixe vivo, meu bem, peixe vivo; como pode o peixe vivo viver fora da água fria?
- Marcha, soldado, cabeça de papel; quem não marchar direito vai preso no quartel.
- Meu limão, meu limoeiro, meu pé de jacarandá.
- Um, dois, três, quatro, cinco, seis; com esta rima eu conto outra vez.
- Quem não entra na roda é moleque; quem entra na roda é bom companheiro.
- Salada, saladinha, bem temperadinha; com sal, pimenta, fogo e foguinho.
Características e usos das rimas populares
| Elemento | Como aparece nas parlendas | Benefício pedagógico |
|---|---|---|
| Rima | Palavras com sons finais semelhantes | Amplia a percepção fonológica |
| Repetição | Versos, sílabas ou estruturas recorrentes | Favorece memorização e fluência |
| Ritmo | Cadência marcada por palmas ou movimentos | Integra linguagem e coordenação motora |
| Contagem | Números usados em escolhas e jogos | Estimula noções matemáticas iniciais |
| Variação regional | Troca de termos conforme o lugar | Valoriza diversidade linguística e cultural |
Ao trabalhar as 38 parlendas do folclore brasileiro, é recomendável indicar que não existe uma versão única e definitiva. Comparar variantes é uma oportunidade para conversar sobre identidade regional, migrações e criatividade coletiva. Além disso, nem todas as composições antigas refletem os valores atuais; quando necessário, o adulto deve selecionar repertórios adequados à faixa etária e promover uma leitura crítica, respeitosa e inclusiva.
Dúvidas comuns sobre parlendas infantis

Qual é a diferença entre parlenda e trava-língua?
A parlenda é uma rima oral usada em brincadeiras, escolhas ou recitações ritmadas. O trava-língua também pode rimar, mas seu objetivo principal é desafiar a articulação de sons parecidos, como em “O rato roeu a roupa do rei de Roma”.
As parlendas são indicadas para a educação infantil?
Sim. Elas são especialmente úteis na educação infantil por combinarem linguagem, música, movimento e interação. O professor deve adequar o repertório à idade das crianças e propor atividades lúdicas, sem exigir decoração como única finalidade.
Como usar parlendas na alfabetização?
É possível recitar o texto, identificar palavras que rimam, separar versos, observar letras iniciais e montar frases com cartões. Essas ações aproximam a oralidade da escrita e ajudam a criança a compreender relações entre som e grafia.
Parlendas têm autor conhecido?
Em geral, não. Por serem transmitidas oralmente durante muito tempo, muitas parlendas não possuem autoria individual definida. Elas pertencem à tradição popular e podem ter recebido contribuições de diversas comunidades e gerações.
Por que existem versões diferentes da mesma parlenda?
As variações surgem porque a transmissão oral permite adaptações. Pessoas alteram palavras para facilitar a pronúncia, aproximar o verso da realidade local ou preservar o ritmo. Essa diversidade é uma das marcas mais ricas do folclore brasileiro.
Preservar a oralidade é valorizar a cultura brasileira
Conhecer as 38 parlendas do folclore brasileiro é uma forma acessível de aproximar crianças e adultos de um patrimônio cultural que vive na voz, no gesto e na convivência. Ao recitar, registrar e compartilhar essas rimas, escolas e famílias preservam memórias coletivas e estimulam competências importantes para o desenvolvimento infantil. O melhor uso das parlendas combina diversão, escuta atenta, contextualização cultural e respeito às diferentes versões que circulam pelo Brasil.
Fontes para aprofundar o tema
- IPHAN — Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
- Ministério da Educação — MEC.
- Câmara Cascudo, Luís da. Dicionário do Folclore Brasileiro.
- Fundação Nacional de Artes (Funarte). Publicações e acervos sobre cultura popular brasileira.
Isenção de responsabilidade
Este conteúdo possui finalidade exclusivamente educativa e informativa. As parlendas apresentadas podem ter variantes linguísticas, históricas e regionais, e a seleção deve ser adaptada ao contexto pedagógico, à faixa etária e às diretrizes da instituição de ensino. Não substitui o planejamento de educadores, a consulta a fontes especializadas nem a mediação responsável de familiares e profissionais da educação.
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Pesquisador, empresário e escritor focado em educação, orientação sobre negócios. Escreve sobre diversos assuntos com abordagem prática e acessível para o público brasileiro.