Concordância Verbal Nominal: Regras e Exemplos
A concordância verbal nominal é um dos fundamentos da escrita formal em língua portuguesa. Ela organiza as relações entre os termos da oração, assegurando que verbos, substantivos, adjetivos, artigos, pronomes e numerais apresentem flexões compatíveis de número e, quando necessário, de gênero. Dominar essas regras melhora a clareza de textos acadêmicos, profissionais e escolares, além de ser indispensável para provas, vestibulares e concursos. Embora pareça um assunto complexo, a compreensão da estrutura da frase e a prática com exemplos tornam a aplicação das regras de concordância mais segura.
Entenda a concordância verbal e nominal
A concordância é o mecanismo gramatical que estabelece harmonia entre palavras relacionadas em uma oração. Ela se divide, principalmente, em concordância verbal e concordância nominal. Na primeira, o verbo deve ajustar-se ao sujeito em pessoa e número. Na segunda, os termos que acompanham ou caracterizam um substantivo devem concordar com ele em gênero e número.
Na concordância verbal, a identificação do sujeito é o passo mais importante. Em “Os estudantes estudaram para a avaliação”, o núcleo do sujeito é “estudantes”, um substantivo plural; por isso, o verbo “estudaram” também está no plural. Já em “A estudante estudou para a avaliação”, sujeito e verbo estão no singular. Essa relação aparentemente simples exige atenção quando a oração apresenta sujeito composto, expressões partitivas, porcentagens ou palavras de sentido coletivo.
A concordância nominal ocorre entre o substantivo e seus determinantes ou modificadores. Na frase “As novas propostas foram aprovadas”, o artigo “as”, o adjetivo “novas” e o particípio “aprovadas” concordam com “propostas”, que é feminino e plural. Em “O novo projeto foi aprovado”, todos os elementos passam para o masculino singular. Esse princípio contribui para que o leitor identifique com precisão a quem cada característica se refere.
As gramáticas de referência destacam que a concordância não é um detalhe ornamental: ela participa da construção do sentido. Uma alteração de número pode modificar a interpretação da frase. Compare: “O diretor e a coordenadora chegou” e “O diretor e a coordenadora chegaram”. Na norma-padrão, a segunda forma é recomendada, pois há dois núcleos no sujeito. Para consultar orientações institucionais sobre o idioma, vale visitar o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras.
Regras essenciais para sujeito e verbo
A regra geral da concordância verbal determina que o verbo concorde com o núcleo do sujeito. Quando o sujeito é simples, a aplicação costuma ser direta: “A pesquisadora apresentou os resultados” e “As pesquisadoras apresentaram os resultados”. No entanto, é necessário separar o sujeito de termos que podem confundir a análise, como complementos nominais e adjuntos adnominais.
Observe: “A lista de convidados chegou cedo”. Embora “convidados” esteja no plural, o núcleo do sujeito é “lista”, que está no singular. Por isso, o verbo deve ficar no singular. O mesmo ocorre em “O grupo de atletas venceu a competição”: o núcleo é “grupo”, e não “atletas”. Essa é uma das situações mais frequentes em exercícios de gramática e revisões de texto.
Com sujeito composto posposto ao verbo, há duas possibilidades em determinados contextos. Em “Chegaram o professor e os alunos”, o plural é a forma mais indicada, porque o verbo concorda com os dois núcleos. Contudo, na ordem indireta, pode haver concordância com o núcleo mais próximo: “Chegou o professor e os alunos”. Apesar de aceita pela tradição gramatical em casos específicos, essa construção pode gerar ambiguidades. Em textos formais, prefira o plural quando houver mais de um núcleo.
Quando os núcleos do sujeito composto são ligados por “ou”, a concordância depende do sentido. Se houver exclusão, o verbo fica no singular: “João ou Marina assumirá a função”. Se houver ideia de inclusão ou alternância, o plural é adequado: “Português ou matemática serão cobrados na prova”. Com a expressão “nem... nem”, o uso do plural é usual: “Nem a diretora nem os professores participaram da reunião”.
Nos casos com porcentagem, a concordância pode ocorrer com o número percentual ou com o termo especificador. Em “Trinta por cento da turma faltaram”, o plural se justifica por “da turma”, entendido como conjunto de pessoas. Em “Um por cento da produção foi perdido”, o singular é natural. Se o percentual vier sem especificador, o verbo concorda com o numeral: “Vinte por cento compareceram”.
Também merecem atenção os verbos impessoais. O verbo “haver”, no sentido de existir ou ocorrer, permanece no singular: “Havia muitas dúvidas” e “Houve problemas técnicos”. O verbo “fazer”, ao indicar tempo transcorrido ou fenômeno climático, também é impessoal: “Faz dois anos que ele se formou” e “Faz dias frios nesta região”. Dizer “haviam dúvidas” ou “fazem dois anos”, nesses sentidos, contraria a norma-padrão.
Pontos práticos para aplicar as regras
- Localize o núcleo do sujeito antes de escolher a forma verbal; palavras preposicionadas geralmente não determinam a concordância.
- Em sujeito composto, use preferencialmente o verbo no plural, sobretudo quando os núcleos aparecem antes do verbo.
- Com nomes coletivos, faça o verbo concordar com o coletivo: “A multidão avançou”, e não com os indivíduos implícitos.
- Em expressões como “a maioria de”, “grande parte de” e “um grupo de”, admitem-se singular e plural, conforme a ênfase recaia sobre o conjunto ou sobre seus integrantes.
- Faça artigos, adjetivos, pronomes e numerais concordarem com o substantivo a que se ligam: “duas excelentes alternativas”.
- Analise a posição do adjetivo quando ele se refere a mais de um substantivo; a proximidade e o sentido influenciam a escolha.
- Revise verbos “haver” e “fazer” em usos impessoais, pois eles não vão ao plural nesses casos especiais.
Concordância nominal em situações frequentes
A concordância nominal segue a relação entre o substantivo e os termos que o acompanham. Artigos, pronomes adjetivos, numerais e adjetivos devem reproduzir o gênero e o número do nome principal. Por exemplo: “Aquelas três importantes pesquisadoras receberam homenagem”. Todos os termos destacados fazem referência a “pesquisadoras”, palavra feminina e plural.
Quando um adjetivo aparece depois de dois ou mais substantivos, pode concordar com o mais próximo ou ir para o plural. Em “Comprei caderno e mochila nova”, “nova” concorda com o substantivo mais próximo, “mochila”. Em “Comprei caderno e mochila novos”, o adjetivo caracteriza os dois substantivos e fica no masculino plural, forma predominante quando há gêneros diferentes. Se ambos forem femininos, usa-se o feminino plural: “A escola e a biblioteca modernas”.
Se o adjetivo vier antes de substantivos de gêneros diferentes, costuma concordar com o mais próximo: “Recebi ótima notícia e convite”. Quando o adjetivo se refere claramente aos dois substantivos, a redação pode ser reorganizada para evitar dúvida: “Recebi uma notícia e um convite excelentes”. A clareza deve orientar a escolha, especialmente em documentos oficiais e textos argumentativos.
Algumas palavras exigem observação por apresentarem comportamento particular. “Bastante” varia quando equivale a “muitos” ou “muitas”: “Havia bastantes motivos para estudar”. Porém, permanece invariável quando significa “muito” ou “suficientemente”: “Os candidatos estavam bastante preparados”. “Meio” varia como numeral, em “meia hora”, mas é invariável como advérbio: “As alunas ficaram meio preocupadas”.
As expressões “é proibido”, “é necessário” e “é bom” também variam conforme a presença de determinante. Diz-se “É proibido entrada”, em emprego genérico, e “É proibida a entrada”, quando o substantivo é determinado pelo artigo. Da mesma maneira: “Água é bom para a saúde” e “A água é boa para a saúde”. Para aprofundar a consulta normativa e lexical, o Ministério da Educação disponibiliza materiais e iniciativas voltados à educação linguística.
Quadro comparativo de casos relevantes
| Situação | Forma recomendada | Justificativa |
|---|---|---|
| Sujeito simples plural | “Os relatórios chegaram.” | O verbo concorda com o núcleo plural “relatórios”. |
| Coletivo singular | “A equipe decidiu.” | O núcleo “equipe” está no singular. |
| Verbo haver com sentido de existir | “Havia soluções.” | “Haver” é impessoal nesse sentido e fica no singular. |
| Adjetivo para nomes de gêneros diferentes | “Livro e revista interessantes.” | O adjetivo vai, em regra, para o masculino plural. |
| “Bastante” como advérbio | “Elas estavam bastante confiantes.” | Como advérbio, a palavra é invariável. |
| “Meio” como numeral | “Tomou meia xícara de chá.” | Como numeral, concorda com o substantivo feminino. |

Exercícios resolvidos de concordância
Praticar é a forma mais eficiente de consolidar as regras de concordância. Considere a frase: “A maioria dos candidatos ___ preparada”. As formas “estava” e “estavam” são aceitáveis, pois a locução “a maioria de” permite concordância com o núcleo singular “maioria” ou com o termo plural “candidatos”. Em um texto formal, a escolha deve ser mantida de modo coerente no período.
Em “___ dez anos que a instituição foi criada”, a resposta correta é “Faz”. O verbo “fazer” indica tempo decorrido e é impessoal. Já em “Não ___ motivos para preocupação”, a forma correta é “havia”, porque “haver” possui sentido de existir. Esses exemplos demonstram que decorar terminações verbais não basta: é preciso compreender o valor semântico do verbo.
Na oração “Seguem ___ as cópias solicitadas”, a resposta é “anexas”. O termo “anexas” concorda com “cópias”, feminino plural. Em “É ___ a apresentação de documento”, usa-se “necessária”, pois “a apresentação” é um substantivo determinado e feminino. A revisão cuidadosa desses elementos elimina erros recorrentes em e-mails, relatórios e redações.
Dúvidas comuns sobre o tema
O que é concordância verbal nominal?
É o conjunto de relações de flexão entre palavras da oração. A concordância verbal vincula o verbo ao sujeito, enquanto a concordância nominal relaciona substantivos a artigos, adjetivos, pronomes, numerais e particípios.
Como identificar o sujeito para fazer a concordância?
Pergunte ao verbo quem pratica, sofre ou apresenta o estado indicado na oração. Em seguida, identifique o núcleo do sujeito, isto é, sua palavra principal. É esse núcleo que normalmente determina a flexão verbal.
O verbo haver pode ir para o plural?
Sim, quando funciona como verbo auxiliar, como em “Eles haviam estudado”. Porém, com sentido de existir, acontecer ou ocorrer, é impessoal e permanece no singular: “Havia várias possibilidades”.
Quando usar “anexo” ou “anexa”?
Como adjetivo, “anexo” deve concordar com o substantivo: “Segue anexo o documento” e “Seguem anexas as planilhas”. Em construções com “em anexo”, a expressão é invariável: “Seguem, em anexo, as planilhas”.
“Menos” varia em gênero e número?
Não. A palavra “menos” é invariável. Portanto, as formas corretas são “menos alunos”, “menos alunas”, “menos problemas” e “menos dificuldades”. A forma “menas” não pertence à norma-padrão.
Conclusão: escreva com precisão gramatical
O estudo da concordância verbal nominal oferece instrumentos concretos para escrever com precisão, coerência e credibilidade. A estratégia central é analisar a estrutura da oração: localizar o núcleo do sujeito para ajustar o verbo e identificar o substantivo para flexionar corretamente seus termos associados. Casos especiais, como coletivos, porcentagens, verbos impessoais e adjetivos ligados a mais de um nome, exigem atenção adicional, mas tornam-se compreensíveis com leitura e prática constantes.
Ao revisar um texto, observe se cada verbo responde adequadamente ao sujeito e se artigos, adjetivos e pronomes mantêm relação clara com os substantivos. Esse hábito reduz desvios, melhora a comunicação e fortalece o desempenho em situações que exigem domínio da norma-padrão. Mais do que uma exigência escolar, a concordância é um recurso essencial para produzir textos objetivos e bem estruturados.
Fontes para aprofundamento
- ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.
- BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.
- CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. Rio de Janeiro: Lexikon.
- MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Portal institucional do MEC.
- HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo: Objetiva.
Isenção de responsabilidade
Este conteúdo tem finalidade exclusivamente educacional e informativa. As explicações apresentam orientações da norma-padrão do português brasileiro e não substituem livros didáticos, gramáticas especializadas, orientação docente ou critérios específicos de bancas examinadoras e instituições de ensino. Em casos de dúvida, recomenda-se consultar fontes gramaticais atualizadas e o contexto comunicativo em que a linguagem será utilizada.
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Pesquisador, empresário e escritor focado em educação, orientação sobre negócios. Escreve sobre diversos assuntos com abordagem prática e acessível para o público brasileiro.