Conjunção Integrante: Uso, Exemplos e Análise
A conjunção integrante é um tema central da gramática normativa e da análise sintática, especialmente em provas escolares, vestibulares e concursos. Ela é empregada para introduzir uma oração subordinada substantiva, isto é, uma oração que desempenha funções próprias de um substantivo dentro de outra oração. No português brasileiro, as conjunções subordinativas integrantes mais frequentes são que e se. Embora pareçam palavras simples e muito usuais, seu reconhecimento exige atenção ao contexto, pois “que” e “se” podem exercer variadas funções na língua. Compreender seu papel torna a leitura mais precisa, melhora a escrita formal e facilita a interpretação de períodos compostos.
O que é conjunção integrante na gramática?
Conjunção integrante é a palavra invariável que inicia uma oração subordinada substantiva e a conecta à oração principal. Sua principal característica é não possuir, em si mesma, uma ideia circunstancial específica de causa, tempo, condição, finalidade ou consequência. Em vez de indicar uma circunstância, ela apenas integra uma oração que passa a funcionar como termo essencial, integrante ou acessório da oração principal.
Observe o período: “Espero que você compreenda a explicação.” A sequência introduzida por “que” completa o sentido do verbo “espero”. Assim, “que você compreenda a explicação” desempenha a função de objeto direto. A conjunção “que” não expressa motivo, comparação ou condição; ela faz a ligação entre o verbo da oração principal e a oração que lhe serve de complemento.
Outro exemplo é: “Não sei se a reunião será mantida.” Nesse caso, “se” introduz a informação que completa o verbo “sei”. A oração inteira funciona como objeto direto de “não sei”. Portanto, “se” é uma conjunção integrante, e não uma conjunção condicional. A diferença depende da estrutura e do sentido global do enunciado.
Segundo descrições amplamente adotadas pela tradição gramatical, as orações subordinadas substantivas podem exercer funções como sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo e aposto. A conjunção integrante aparece com grande frequência em várias dessas construções. Para ampliar o estudo da norma-padrão e dos fenômenos da língua, é útil consultar materiais institucionais, como os conteúdos do Ministério da Educação e os acervos linguísticos da Academia Brasileira de Letras.
Que e se: as principais conjunções subordinativas integrantes
As conjunções integrantes mais reconhecidas são que e se. A primeira costuma introduzir declarações, opiniões, desejos, ordens, percepções e certezas: “A professora afirmou que a atividade será corrigida amanhã”; “É necessário que todos participem”; “Tenho certeza de que ele estudou”. Em todos esses exemplos, a oração introduzida por “que” ocupa uma posição que poderia ser exercida por um substantivo ou por um pronome substantivo.
Já a conjunção integrante “se” é comum quando a oração expressa uma dúvida, uma possibilidade ainda não confirmada ou uma pergunta indireta: “Perguntei se o aluno entregou o trabalho”; “Ninguém sabe se haverá mudanças”; “Desejo saber se a inscrição foi aceita”. Note que não há uma condição explícita nesses casos. A mensagem não equivale a “caso o aluno entregue o trabalho”; ela corresponde a “perguntei isto: o aluno entregou o trabalho?”.
Essa distinção é fundamental porque “se” também pode ser uma conjunção subordinativa condicional. Compare: “Se chover, cancelaremos o evento” e “Não sabemos se choverá”. Na primeira frase, “se chover” apresenta uma condição para o cancelamento; logo, trata-se de conjunção condicional. Na segunda, “se choverá” é o conteúdo desconhecido pelo sujeito e funciona como objeto direto do verbo “sabemos”; nesse caso, “se” é integrante.
O mesmo cuidado deve ser aplicado a “que”, palavra extremamente polissêmica. Ela pode atuar como pronome relativo, pronome interrogativo, partícula expletiva ou conjunção explicativa, entre outras classificações. Em “O livro que li é excelente”, “que” retoma “livro” e exerce função sintática dentro da oração subordinada, sendo pronome relativo. Em “Afirmo que o livro é excelente”, “que” apenas inicia a oração que completa “afirmo”, sendo conjunção integrante.
Como reconhecer uma oração introduzida por conjunção integrante
Um procedimento eficiente de análise sintática é substituir a oração subordinada por termos como “isso”, “isto” ou “aquilo”. Se a troca preservar a estrutura central da oração principal, há forte indício de que se trata de uma oração subordinada substantiva introduzida por conjunção integrante. Em “Convém que você revise o conteúdo”, podemos dizer “Convém isto”. A construção continua compreensível, e a oração subordinada exerce função de sujeito.
Em “O diretor informou que as aulas retornarão na segunda-feira”, a substituição resulta em “O diretor informou isso”. Logo, “que as aulas retornarão na segunda-feira” é objeto direto. Já em “Tenho necessidade de que você seja pontual”, a forma equivalente é “Tenho necessidade disso”; a oração exerce função de complemento nominal, pois completa o sentido do nome abstrato “necessidade”, acompanhado da preposição “de”.
Também é importante identificar o verbo ou o nome que pede complemento. Verbos como “dizer”, “acreditar”, “perceber”, “esperar”, “informar”, “perguntar”, “saber” e “duvidar” frequentemente são acompanhados de orações substantivas. Nomes como “certeza”, “necessidade”, “esperança”, “medo”, “convicção” e “desejo” igualmente podem ser completados por essas orações. A presença de uma preposição antes de “que” não elimina a classificação de conjunção integrante: em “Estou certo de que haverá solução”, a locução “de que” introduz uma oração subordinada substantiva completiva nominal.
Vale destacar que a conjunção integrante, por ser invariável e meramente conectiva, normalmente não exerce função sintática interna na oração que introduz. Quem desempenha funções sintáticas são os termos da oração subordinada. Essa é uma diferença decisiva em relação ao pronome relativo, que retoma um antecedente e pode atuar como sujeito, objeto ou complemento na oração relativa.
Passos práticos para identificar a conjunção integrante
- Localize os verbos do período para verificar se há mais de uma oração.
- Observe “que” e “se” e investigue se eles conectam uma oração a um verbo, nome ou expressão da oração principal.
- Substitua a oração inteira por “isso”. Se a substituição for possível, provavelmente há uma oração subordinada substantiva.
- Analise a função da oração: ela pode ser sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo ou aposto.
- Diferencie “se” integrante de “se” condicional. Pergunte se a ideia é de dúvida ou pergunta indireta, ou se é de condição.
- Diferencie “que” integrante de pronome relativo. Verifique se “que” retoma um termo anterior e exerce papel dentro da oração subordinada.
- Evite classificar pela palavra isolada. A função gramatical depende do contexto e das relações sintáticas estabelecidas no período.
Comparação entre usos de que e se
| Elemento | Exemplo | Classificação | Critério de reconhecimento |
|---|---|---|---|
| que | “Percebi que havia um erro.” | Conjunção integrante | A oração completa o verbo “percebi” e pode ser substituída por “isso”. |
| se | “Não sei se ele virá.” | Conjunção integrante | A oração funciona como objeto direto e expressa dúvida indireta. |
| se | “Se ele vier, conversaremos.” | Conjunção condicional | A oração estabelece uma condição para a ocorrência da principal. |
| que | “A notícia que recebi era urgente.” | Pronome relativo | Retoma “notícia” e exerce função de objeto direto de “recebi”. |
| de que | “Tenho certeza de que acertaremos.” | Conjunção integrante precedida de preposição | A oração completa o nome “certeza”, formando complemento nominal. |

A tabela mostra por que a classificação não pode depender exclusivamente da forma gráfica. Palavras idênticas podem receber classificações distintas conforme sua relação com os demais termos. Em exercícios de gramática, justificar a resposta com base na função da oração é mais seguro do que memorizar exemplos isolados.
Dúvidas comuns sobre conjunção integrante
Quais são as conjunções integrantes da língua portuguesa?
Na classificação tradicional, as principais conjunções subordinativas integrantes são que e se. Elas introduzem orações subordinadas substantivas e estabelecem ligação com a oração principal sem indicar, por si, uma circunstância específica.
Como saber se “que” é conjunção integrante?
Verifique se a oração iniciada por “que” completa o sentido de um verbo ou nome e pode ser substituída por “isso”. Em “Ela confirmou que participará”, a substituição “Ela confirmou isso” demonstra que “que” introduz uma oração subordinada substantiva objetiva direta.
Todo “se” é conjunção integrante?
Não. “Se” pode ser integrante, condicional, apassivador, índice de indeterminação do sujeito ou parte integrante de verbos pronominais, entre outras possibilidades. É integrante em “Não sei se haverá aula” e condicional em “Se houver aula, chegarei cedo”.
A expressão “de que” sempre indica conjunção integrante?
Não necessariamente. Em muitas construções, “de” é uma preposição exigida pelo verbo ou pelo nome, enquanto “que” é a conjunção integrante: “Lembro-me de que você avisou”. Porém, a classificação deve resultar da análise completa da estrutura, e não apenas da presença da sequência “de que”.
Conjunção integrante tem função sintática?
Em regra, não. A conjunção integrante atua como conectivo entre orações. A função sintática é desempenhada pela oração subordinada substantiva que ela introduz. Por exemplo, em “É importante que você leia”, toda a oração “que você leia” exerce a função de sujeito.
Conclusão: domínio dos conectivos e clareza textual
Dominar a conjunção integrante é compreender como ideias inteiras podem ocupar o lugar de substantivos em um período composto. As formas “que” e “se” permitem introduzir conteúdos declarados, percebidos, desejados, questionados ou desconhecidos, formando orações subordinadas substantivas com diferentes funções. Para identificá-las adequadamente, o estudante deve observar a relação entre as orações, aplicar a substituição por “isso” e distinguir os conectivos de usos semelhantes, como o “se” condicional e o “que” pronome relativo.
Esse conhecimento contribui para uma escrita mais organizada e para uma interpretação mais rigorosa de textos. Além de auxiliar na resolução de questões gramaticais, a análise das conjunções revela como a língua articula pensamentos complexos de modo coeso. A prática com exemplos, leitura atenta e revisão das funções sintáticas são os caminhos mais consistentes para consolidar o aprendizado.
Referências para aprofundamento
- BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.
- CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. Rio de Janeiro: Lexikon.
- ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. Consulta para grafia e usos formais.
- MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Materiais e informações sobre educação básica.
Isenção de responsabilidade
Este artigo tem finalidade educacional e informativa. As explicações seguem a nomenclatura tradicional da gramática da língua portuguesa, comum em contextos escolares e avaliações. Diferentes correntes linguísticas podem adotar descrições complementares para determinados fenômenos sintáticos. Para exigências específicas de uma instituição de ensino, prova, concurso ou publicação acadêmica, recomenda-se consultar o edital, o material didático indicado e fontes especializadas atualizadas.
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Pesquisador, empresário e escritor focado em educação, orientação sobre negócios. Escreve sobre diversos assuntos com abordagem prática e acessível para o público brasileiro.