Exercícios sobre Transformação Isocórica ou Isovolumétrica
Os exercícios sobre transformação isocórica ou isovolumétrica aparecem com frequência em provas de Física do ensino médio, vestibulares e processos seletivos porque avaliam a compreensão das relações entre pressão, temperatura e volume de um gás. Nessa transformação, o volume do recipiente permanece constante, enquanto a pressão pode aumentar ou diminuir conforme a temperatura varia. Para resolver corretamente as questões, é indispensável reconhecer as grandezas envolvidas, converter a temperatura para a escala absoluta e aplicar a relação adequada dos gases ideais. Este guia apresenta explicações, fórmulas, exemplos resolvidos, erros comuns e um gabarito para tornar o estudo mais seguro e eficiente.
Como funciona a transformação isocórica
A transformação isocórica, também chamada de transformação isovolumétrica, é um processo termodinâmico no qual o volume de uma determinada quantidade de gás não sofre alteração. Os termos possuem o mesmo sentido: “iso” indica igualdade, “córico” está relacionado ao volume, e “isovolumétrico” significa literalmente volume igual ou constante.
Imagine um gás armazenado em um cilindro rígido, uma lata fechada ou um recipiente de paredes que não se deformam. Se esse gás for aquecido, suas partículas ganharão energia cinética e colidirão com maior intensidade e frequência contra as paredes internas. Como o recipiente não permite expansão, o resultado é o aumento da pressão. Da mesma maneira, ao resfriar o gás, as colisões se tornam menos intensas, reduzindo a pressão.
Em uma transformação isocórica, o volume é expresso por V = constante. Para uma massa fixa de gás ideal, a razão entre pressão absoluta e temperatura absoluta permanece constante:
P/T = constante
Assim, comparando dois estados do mesmo gás, utiliza-se a expressão:
P1 / T1 = P2 / T2
Essa relação é frequentemente associada à lei de Gay-Lussac, quando se considera o volume constante. É importante observar que há variações de nomenclatura em alguns livros didáticos, mas o princípio físico aplicado permanece o mesmo. Para aprofundar os conceitos fundamentais de temperatura, pressão e comportamento dos gases, consulte os materiais educacionais do PhET Interactive Simulations, da Universidade do Colorado.
O aspecto mais importante nos exercícios é que a temperatura não pode ser usada em graus Celsius diretamente na fórmula. É obrigatório converter para kelvin, pois a proporcionalidade entre pressão e temperatura somente é válida na escala absoluta. A conversão é feita por:
T(K) = t(°C) + 273
Por exemplo, 27 °C correspondem a 300 K, enquanto 127 °C correspondem a 400 K. Se a temperatura absoluta aumenta de 300 K para 400 K, a pressão também aumenta na mesma proporção, desde que o volume e a quantidade de gás sejam mantidos constantes.
Fórmulas e interpretação do diagrama pressão-temperatura
A equação geral dos gases ideais é dada por PV = nRT, em que P representa a pressão, V é o volume, n corresponde ao número de mols, R é a constante universal dos gases e T é a temperatura absoluta. Quando V e n não variam, a expressão mostra que P é diretamente proporcional a T. Portanto, se a temperatura dobra em kelvin, a pressão absoluta também dobra.
Nos problemas mais simples, a fórmula comparativa P1/T1 = P2/T2 é suficiente. Em questões que fornecem a quantidade de matéria e o volume, pode-se usar diretamente a equação dos gases ideais. O ponto central é identificar se o sistema é fechado, se o recipiente é rígido e se a quantidade de gás permanece a mesma.
No diagrama pressão-temperatura, usando a temperatura em kelvin, uma transformação isocórica é representada por uma reta crescente que passa pela origem. Isso ocorre porque P/T é constante. Caso a temperatura esteja em graus Celsius, a reta não passará pela origem do gráfico, pois 0 °C não equivale a ausência de energia térmica. Essa distinção é relevante em perguntas conceituais.
Também é necessário diferenciar a transformação isocórica de outros processos. Na isobárica, a pressão se mantém constante e o volume varia com a temperatura. Na isotérmica, a temperatura é constante e pressão e volume variam de forma inversamente proporcional. Já na adiabática, não há troca de calor com o ambiente. Identificar corretamente o tipo de transformação antes de escolher a fórmula evita grande parte dos erros de cálculo.
Outro conceito decisivo é o trabalho termodinâmico. O trabalho realizado por um gás é calculado, em situações simples, por W = PΔV. Como a variação de volume é nula na transformação isovolumétrica, temos W = 0. Isso não significa que o gás não receba ou perca energia: ele pode trocar calor, mas essa energia se manifesta como variação da energia interna. Pela primeira lei da Termodinâmica, considerando a convenção usual, ΔU = Q − W. Como W é zero, conclui-se que ΔU = Q.
Passo a passo para resolver questões de volume constante
- Leia o enunciado com atenção: procure informações como recipiente rígido, tanque fechado, esfera indeformável ou volume fixo. Esses termos indicam uma transformação isocórica.
- Liste os dados: separe pressão inicial, pressão final, temperatura inicial e temperatura final. Verifique as unidades apresentadas.
- Converta Celsius para kelvin: some 273 à temperatura em graus Celsius antes de usar qualquer proporção entre pressão e temperatura.
- Escolha a equação: se a massa gasosa e o volume forem constantes, aplique P1/T1 = P2/T2.
- Isole a incógnita: para encontrar a pressão final, use P2 = P1 × T2/T1. Para encontrar a temperatura final, use T2 = T1 × P2/P1.
- Analise o resultado: se a temperatura aumentou, a pressão também deve aumentar. Se isso não acontecer, revise a conversão ou a montagem da proporção.
- Apresente a unidade: use a mesma unidade de pressão fornecida no enunciado, como atm, Pa ou kPa, salvo orientação contrária.
Exemplos de exercícios sobre transformação isocórica
Exercício 1: um gás ocupa um recipiente rígido e apresenta pressão de 2,0 atm a 27 °C. Ele é aquecido até 127 °C. Determine a pressão final.
Resolução: inicialmente, convertem-se as temperaturas: T1 = 27 + 273 = 300 K e T2 = 127 + 273 = 400 K. Em seguida, aplica-se P2 = 2,0 × 400/300. Logo, P2 = 2,67 atm, aproximadamente. Como houve aquecimento em volume constante, é coerente que a pressão tenha aumentado.
Exercício 2: em um tanque rígido, a pressão de um gás cai de 600 kPa para 450 kPa. Sabendo que a temperatura inicial era de 400 K, determine a temperatura final.

Resolução: T2 = 400 × 450/600. Portanto, T2 = 300 K. Convertendo para Celsius, 300 − 273 = 27 °C. A queda de pressão acompanha a redução da temperatura, o que confirma a lógica da transformação.
Exercício 3: um recipiente metálico fechado contém gás a 20 °C e pressão de 1,5 atm. Qual será a pressão quando a temperatura atingir 80 °C?
Resolução: T1 = 293 K e T2 = 353 K. Então, P2 = 1,5 × 353/293. O resultado é aproximadamente 1,81 atm. Um erro comum seria calcular 1,5 × 80/20, obtendo um valor incorreto porque os valores em Celsius não obedecem à proporcionalidade exigida.
Dados comparativos das transformações gasosas
| Transformação | Grandeza constante | Relação principal | Trabalho do gás | Exemplo |
|---|---|---|---|---|
| Isocórica ou isovolumétrica | Volume | P/T = constante | Nulo | Gás em recipiente rígido aquecido |
| Isobárica | Pressão | V/T = constante | Geralmente diferente de zero | Gás em cilindro com êmbolo móvel |
| Isotérmica | Temperatura | P × V = constante | Diferente de zero | Expansão lenta em contato térmico |
| Adiabática | Calor trocado | P × Vγ = constante | Diferente de zero | Compressão rápida de um gás |
A tabela evidencia por que os exercícios devem ser interpretados antes de serem calculados. Uma mesma situação envolvendo gás pode usar fórmulas completamente diferentes conforme a grandeza constante. Para uma revisão acadêmica da primeira lei e dos processos termodinâmicos, a página do OpenStax Física Universitária oferece conteúdo de referência sobre Termodinâmica.
Perguntas essenciais sobre o tema
O que é uma transformação isocórica ou isovolumétrica?
É uma transformação termodinâmica em que o volume de um gás permanece constante. Por isso, alterações na temperatura provocam mudanças proporcionais na pressão, considerando uma quantidade fixa de gás ideal.
Por que a temperatura deve estar em kelvin?
Porque a relação entre pressão e temperatura exige uma escala absoluta, iniciada no zero absoluto. A escala Celsius possui um ponto zero arbitrário e não pode ser empregada diretamente em P/T = constante.
Qual é a fórmula mais usada nos exercícios?
A fórmula principal é P1/T1 = P2/T2. Ela vale quando o volume e a quantidade de gás não variam entre os dois estados analisados.
Há trabalho realizado em uma transformação isovolumétrica?
Não. Como o volume é constante, a variação de volume é zero. Assim, W = PΔV resulta em trabalho nulo, embora possa haver troca de calor e variação da energia interna.
Qual é o gabarito dos três exercícios apresentados?
Os resultados são: no exercício 1, 2,67 atm; no exercício 2, 300 K ou 27 °C; e no exercício 3, aproximadamente 1,81 atm. Em todos os casos, a conversão para kelvin foi indispensável.
Conclusão: como dominar os exercícios isovolumétricos
Resolver exercícios sobre transformação isocórica ou isovolumétrica torna-se simples quando se seguem três princípios: reconhecer que o volume é constante, converter toda temperatura para kelvin e aplicar a proporcionalidade entre pressão e temperatura. A análise física do resultado também é uma ferramenta valiosa: aquecimento deve elevar a pressão, enquanto resfriamento deve reduzi-la. Além disso, lembrar que o trabalho é nulo ajuda a responder questões conceituais de Termodinâmica. Com prática regular, atenção às unidades e consulta ao gabarito apenas após a tentativa de resolução, o estudante desenvolve domínio seguro sobre gases ideais e processos termodinâmicos.
Referências para aprofundamento
- OpenStax. Física Universitária, Volume 2: Termodinâmica. Disponível em: https://openstax.org.
- PhET Interactive Simulations, University of Colorado Boulder. Propriedades dos Gases. Disponível em: https://phet.colorado.edu/pt_BR/.
- Halliday, Resnick e Walker. Fundamentos de Física: Gravitação, Ondas e Termodinâmica. LTC.
- Young, Hugh D. e Freedman, Roger A. Física Universitária. Pearson.
Isenção de responsabilidade
Este conteúdo possui finalidade exclusivamente educacional e foi elaborado para apoiar o estudo de Física. As fórmulas e os exemplos consideram aproximações usuais para gases ideais e condições didáticas. Em aplicações laboratoriais, industriais ou de segurança, fatores como comportamento de gases reais, limites de pressão, propriedades do recipiente e normas técnicas devem ser avaliados por profissionais qualificados e por fontes especializadas.
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Pesquisador, empresário e escritor focado em educação, orientação sobre negócios. Escreve sobre diversos assuntos com abordagem prática e acessível para o público brasileiro.