Ligação Covalente: Tipos, Exemplos e Propriedades
A ligação covalente é um dos conceitos centrais da Química porque explica a formação de inúmeras substâncias presentes no cotidiano, como a água, o oxigênio do ar, o gás carbônico, o açúcar e diversos materiais orgânicos. Ela ocorre quando átomos compartilham elétrons para alcançar maior estabilidade eletrônica. Em vez de transferir elétrons de um átomo para outro, como acontece tipicamente nas ligações iônicas, os átomos envolvidos passam a utilizar pares eletrônicos em comum. Compreender esse mecanismo permite interpretar fórmulas químicas, prever propriedades das moléculas e reconhecer como a distribuição de cargas influencia fenômenos importantes na natureza e na tecnologia.
Como ocorre a ligação covalente entre átomos
A ligação covalente ocorre, em geral, entre elementos ametálicos, incluindo o hidrogênio. Esses elementos possuem tendência a atrair elétrons, mas nem sempre apresentam uma diferença de eletronegatividade suficientemente alta para que haja transferência completa de cargas. Assim, o compartilhamento de elétrons torna-se uma solução energeticamente favorável para os átomos participantes.
Os elétrons mais importantes nesse processo são os elétrons da camada de valência, isto é, aqueles localizados na região mais externa do átomo. Segundo a regra do octeto, muitos átomos tendem a ficar mais estáveis quando apresentam oito elétrons na camada de valência, em uma configuração semelhante à dos gases nobres. Embora existam exceções relevantes a essa regra, ela é uma ferramenta inicial muito útil para entender a formação de moléculas.
Na molécula de hidrogênio, H2, por exemplo, cada átomo possui um elétron. Ao compartilharem esses dois elétrons, ambos passam a apresentar uma camada eletrônica mais estável. Já na molécula de água, H2O, o oxigênio realiza duas ligações covalentes com dois átomos de hidrogênio. Dessa maneira, o oxigênio completa seu octeto, enquanto cada hidrogênio atinge a configuração estável de dois elétrons.
É importante destacar que uma ligação covalente não representa uma simples união estática. Os elétrons compartilhados ocupam regiões do espaço chamadas orbitais moleculares, e a atração entre esses elétrons e os núcleos positivos dos átomos contribui para manter a molécula coesa. Esse modelo ajuda a explicar por que o comprimento e a energia das ligações variam de uma substância para outra.
Tipos de ligação covalente e compartilhamento eletrônico
As ligações covalentes podem ser classificadas de acordo com o número de pares de elétrons compartilhados. Quando apenas um par eletrônico é compartilhado, forma-se uma ligação simples. Quando dois pares são compartilhados, há uma ligação dupla; com três pares compartilhados, ocorre uma ligação tripla. Em geral, quanto maior a quantidade de pares compartilhados entre dois átomos, menor é a distância entre os núcleos e maior é a força da ligação.
Uma ligação simples pode ser observada no metano, CH4, em que o carbono se liga a quatro hidrogênios. A molécula de oxigênio, O2, apresenta uma ligação dupla, enquanto o nitrogênio molecular, N2, possui uma ligação tripla muito resistente. Essa característica contribui para a baixa reatividade do nitrogênio atmosférico em condições comuns.
Outra classificação fundamental envolve a distribuição dos elétrons compartilhados. Em uma ligação apolar, os elétrons são divididos de modo aproximadamente igual entre os átomos. Isso ocorre principalmente quando eles possuem eletronegatividades idênticas ou muito próximas, como em H2, Cl2 e O2. Já uma ligação polar acontece quando um dos átomos atrai o par eletrônico com maior intensidade, gerando polos parciais: uma região com carga parcialmente negativa, indicada por δ−, e outra com carga parcialmente positiva, indicada por δ+.
A ligação O—H presente na água é polar, pois o oxigênio é mais eletronegativo que o hidrogênio. Contudo, a polaridade de uma molécula não depende somente de suas ligações individuais: a geometria molecular também é decisiva. O dióxido de carbono, CO2, possui duas ligações polares entre carbono e oxigênio, mas sua estrutura linear faz os efeitos de polaridade se anularem. Por isso, a molécula é globalmente apolar.
A escala de eletronegatividade é utilizada para estimar a tendência de cada elemento em atrair elétrons em uma ligação. Para aprofundar esse conceito e consultar dados de elementos químicos, é possível recorrer à tabela periódica da Royal Society of Chemistry. A análise deve considerar que os valores são referências úteis, mas as propriedades reais das moléculas também dependem de fatores estruturais e energéticos.
Estrutura de Lewis: representação das moléculas
A estrutura de Lewis é uma representação gráfica que mostra os elétrons de valência, os pares compartilhados e os pares de elétrons não ligantes de uma molécula ou íon. Nessa notação, os elétrons podem ser indicados por pontos, enquanto uma linha entre dois átomos costuma representar um par eletrônico compartilhado. Trata-se de uma ferramenta didática indispensável para visualizar a ligação covalente e prever a composição básica de diversas substâncias.
Para construir uma estrutura de Lewis, o primeiro passo é somar os elétrons de valência de todos os átomos. Em seguida, escolhe-se normalmente o átomo menos eletronegativo como átomo central, com exceção do hidrogênio. Depois, são formadas ligações simples entre o átomo central e os demais, distribuindo-se os elétrons restantes para completar duetos ou octetos quando possível. Caso o átomo central ainda não esteja estável, pares não ligantes podem ser convertidos em ligações duplas ou triplas.
Na água, a estrutura de Lewis mostra o oxigênio no centro, duas ligações simples com os hidrogênios e dois pares de elétrons não ligantes sobre o oxigênio. Esses pares livres afetam a geometria molecular e ajudam a explicar por que a água possui formato angular, em vez de linear. Consequentemente, os dipolos das ligações não se anulam, tornando a molécula polar.
Apesar de sua grande utilidade, a estrutura de Lewis tem limitações. Ela não descreve com precisão a distribuição quântica dos elétrons, nem representa adequadamente fenômenos como ressonância e ligações deslocalizadas em todos os casos. Para uma visão mais aprofundada da teoria de ligações, materiais educacionais da IUPAC Gold Book oferecem definições científicas padronizadas de termos químicos.
Características essenciais das ligações covalentes
- Compartilhamento eletrônico: os átomos dividem um ou mais pares de elétrons de valência.
- Ocorrência comum entre ametais: hidrogênio, carbono, nitrogênio, oxigênio, enxofre e halogênios formam frequentemente moléculas covalentes.
- Ligação simples, dupla ou tripla: o número de pares compartilhados influencia força, comprimento e reatividade da ligação.
- Polaridade variável: a diferença de eletronegatividade pode produzir ligações polares ou apolares.
- Formação de moléculas: muitas substâncias covalentes existem como unidades moleculares independentes, como H2O e CO2.
- Pares de elétrons livres: elétrons não compartilhados podem alterar a geometria e a polaridade molecular.
- Propriedades físicas diversas: dependendo da estrutura, substâncias covalentes podem ser gases, líquidos ou sólidos, com diferentes pontos de fusão e ebulição.
Comparação entre ligação covalente, iônica e metálica

| Característica | Ligação covalente | Ligação iônica | Ligação metálica |
|---|---|---|---|
| Processo principal | Compartilhamento de elétrons | Transferência de elétrons | Elétrons deslocalizados |
| Elementos mais comuns | Ametais e hidrogênio | Metal e ametal | Metais |
| Estrutura típica | Moléculas ou redes covalentes | Retículo cristalino de íons | Rede de cátions metálicos |
| Condução elétrica | Geralmente baixa | Em fusão ou solução aquosa | Alta no estado sólido |
| Exemplos | H2O, O2, CH4 | NaCl, MgO | Fe, Cu, Al |
A comparação mostra que a ligação covalente possui comportamento próprio, mas não deve ser interpretada de forma isolada. Existem substâncias com caráter intermediário, e muitas propriedades dependem da organização espacial dos átomos. O diamante, por exemplo, é formado por uma extensa rede covalente de carbonos e apresenta elevada dureza, ao passo que muitas moléculas covalentes pequenas têm pontos de ebulição relativamente baixos.
Dúvidas comuns sobre ligação covalente
O que é ligação covalente?
Ligação covalente é a união química em que dois átomos compartilham um ou mais pares de elétrons. Ela é comum entre ametais e permite a formação de moléculas estáveis, como água, oxigênio e gás carbônico.
Qual é a diferença entre ligação covalente polar e apolar?
Na ligação covalente polar, os elétrons compartilhados são atraídos mais intensamente por um dos átomos, criando polos parciais. Na apolar, o compartilhamento é aproximadamente equilibrado. A diferença de eletronegatividade é o principal critério para essa distinção.
Uma molécula com ligações polares é sempre polar?
Não. A geometria molecular pode causar o cancelamento dos dipolos das ligações. O CO2 é um exemplo: suas ligações C=O são polares, mas a geometria linear torna a molécula apolar no conjunto.
Como identificar uma ligação covalente na fórmula química?
Uma indicação inicial é verificar se a substância é formada apenas por ametais, incluindo hidrogênio. Fórmulas como H2O, NH3 e CH4 representam compostos predominantemente covalentes. Ainda assim, a análise da eletronegatividade oferece uma avaliação mais precisa.
O que são pares de elétrons não ligantes?
São pares de elétrons de valência que permanecem associados a um único átomo e não participam diretamente de uma ligação. Eles influenciam a forma tridimensional, a polaridade e, em muitos casos, a reatividade das moléculas.
Conclusão sobre a ligação covalente
A ligação covalente é indispensável para compreender como os átomos se unem e originam grande parte das substâncias conhecidas. Seu princípio básico é o compartilhamento de elétrons, que pode ocorrer em ligações simples, duplas ou triplas e apresentar caráter polar ou apolar. A estrutura de Lewis, a eletronegatividade e a geometria molecular são ferramentas complementares para interpretar esse tema com segurança. Ao estudar as ligações covalentes, torna-se mais fácil explicar propriedades como solubilidade, pontos de ebulição, condução elétrica e reatividade química, conectando a teoria à observação de materiais e processos cotidianos.
Referências para aprofundamento
- Royal Society of Chemistry. Tabela periódica interativa e dados de elementos químicos. Disponível em: https://www.rsc.org/periodic-table/.
- IUPAC. Compendium of Chemical Terminology, Gold Book. Disponível em: https://goldbook.iupac.org/.
- Atkins, P.; Jones, L. Princípios de Química: Questionando a Vida Moderna e o Meio Ambiente. Bookman.
- Brown, T. L. et al. Química: A Ciência Central. Pearson.
Isenção de responsabilidade
Este conteúdo tem finalidade exclusivamente educacional e informativa. As explicações apresentadas resumem conceitos fundamentais de Química e não substituem materiais didáticos, orientação docente, normas de laboratório ou consulta a fontes científicas especializadas. Em atividades práticas, devem ser seguidos os procedimentos de segurança, a supervisão adequada e as orientações da instituição de ensino ou do laboratório responsável.
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Pesquisador, empresário e escritor focado em educação, orientação sobre negócios. Escreve sobre diversos assuntos com abordagem prática e acessível para o público brasileiro.