Números Ordinais: Uso, Regras e Abreviações
Os números ordinais são palavras usadas para indicar posição, sequência, classificação ou hierarquia entre elementos. Eles aparecem em situações cotidianas, como ao informar o primeiro colocado de uma competição, citar o segundo capítulo de um livro, indicar o vigésimo andar de um prédio ou registrar uma data histórica. Embora pareçam simples, os numerais ordinais envolvem regras importantes de flexão de gênero e número, abreviações específicas e diferenças relevantes em relação aos números cardinais. Dominar esse conteúdo melhora a escrita formal, facilita a compreensão de textos e contribui para uma comunicação mais precisa em contextos escolares, profissionais e administrativos.
O que são números ordinais e qual é sua função
Os números ordinais, também chamados de numerais ordinais, expressam a ordem ocupada por alguém ou algo dentro de uma série. Diferentemente dos numerais cardinais, que indicam quantidade, os ordinais mostram uma posição. Em “há três alunos na sala”, o termo “três” informa quantidade; em “ela foi a terceira aluna a chegar”, “terceira” aponta a colocação da estudante em uma sequência.
Em português brasileiro, os ordinais mais frequentes são primeiro, segundo, terceiro, quarto, quinto, sexto, sétimo, oitavo, nono e décimo. A partir deles, a formação segue padrões próprios, especialmente nas dezenas, centenas e milhares. Exemplos comuns incluem décimo primeiro, vigésimo, trigésimo, quadragésimo, centésimo e milésimo.
A função principal dos números ordinais é classificar. Por isso, são muito utilizados em rankings, listas, etapas de processos, andares, séculos, capítulos, artigos legais, séries escolares, cargos e eventos. Uma frase como “o 8º ano” comunica que se trata da oitava posição em uma sequência de anos escolares. Da mesma forma, “o século XXI” situa um período histórico de acordo com uma ordenação cronológica.
É importante notar que a escolha entre cardinal e ordinal depende do contexto. Em determinados usos consagrados, sobretudo com nomes de reis, papas, séculos e divisões de textos, a leitura ordinal é esperada. Em “Dom Pedro II”, por exemplo, o algarismo romano deve ser lido como “Dom Pedro Segundo”. Já em documentos técnicos e em enumerações extensas, os cardinais podem ocorrer com mais frequência por uma questão de praticidade.
As orientações normativas sobre classes de palavras e flexões podem ser consultadas em materiais institucionais, como o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras. Esse tipo de fonte é útil para verificar grafias, formas variantes e usos recomendados na escrita formal.
Formação dos numerais ordinais em português
Os ordinais são palavras variáveis: podem sofrer flexão de gênero e número para concordar com o substantivo a que se referem. Assim, escreve-se “o primeiro candidato”, “a primeira candidata”, “os primeiros candidatos” e “as primeiras candidatas”. Essa característica aproxima os ordinais dos adjetivos, pois eles qualificam o substantivo ao indicar sua posição relativa.
Até o décimo, as formas precisam ser memorizadas, já que não são criadas apenas pela adição de um sufixo: primeiro, segundo, terceiro, quarto, quinto, sexto, sétimo, oitavo, nono e décimo. Nas dezenas, surgem formas como vigésimo, trigésimo, quadragésimo, quinquagésimo, sexagésimo, septuagésimo, octogésimo, nonagésimo e centésimo.
Para formar ordinais compostos, geralmente são combinadas as palavras correspondentes às ordens envolvidas. Portanto, 21º pode ser escrito como “vigésimo primeiro”; 32º, como “trigésimo segundo”; e 105º, como “centésimo quinto”. Quando houver flexão feminina, todas as partes variáveis devem acompanhar o substantivo: “a vigésima primeira edição”, “a trigésima segunda página” e “a centésima quinta participante”.
Em números muito elevados, o uso de ordinais por extenso existe, mas tende a ser incomum na comunicação diária. Formas como “milésimo”, “milionésimo” e “bilionésimo” são adequadas, porém aparecem sobretudo em textos científicos, jurídicos, administrativos ou literários. Em situações correntes, é frequente empregar a forma numeral abreviada, desde que as regras de concordância sejam respeitadas.
Vale observar que há palavras semelhantes, mas com funções diferentes. “Dobro”, “triplo” e “quádruplo” são numerais multiplicativos, pois indicam multiplicação; “meio”, “terço” e “quarto”, quando expressam partes de um todo, são fracionários. Já “primeiro”, “segundo” e “terceiro” pertencem à classe dos ordinais porque estabelecem uma ordem.
Concordância nominal: como usar primeiro e segundo corretamente
A concordância nominal é um dos pontos mais importantes no emprego dos números ordinais. Como eles se relacionam diretamente com substantivos, precisam concordar em gênero e número. Em “a segunda fase”, o ordinal está no feminino singular porque “fase” é feminino singular. Em “os décimos capítulos”, há masculino plural para acompanhar “capítulos”.
Esse cuidado também vale para ordinais compostos. Não é adequado escrever “a vigésimo primeira reunião”, pois “vigésimo” precisa concordar com “reunião”. A forma correta é “a vigésima primeira reunião”. Da mesma maneira, devem ser usadas as construções “o quadragésimo segundo artigo”, “as quadragésimas segundas páginas” e “os centésimos primeiros registros”.
Em alguns contextos, o ordinal pode aparecer depois do substantivo, especialmente em títulos, nomes de eventos e classificações: “Capítulo Primeiro”, “Jornada Segunda” ou “Etapa Final”. Entretanto, na linguagem contemporânea, a posição antes do substantivo é mais natural na maioria das frases: “o primeiro capítulo”, “a segunda jornada” e “a última etapa”.
Também há uma diferença de sentido que merece atenção. “O primeiro aluno” normalmente designa quem ocupa a primeira posição; “um primeiro aluno”, em certos contextos, pode sugerir apenas um aluno inicial entre outros. O artigo definido tende a reforçar uma ordem específica, enquanto o indefinido pode introduzir um elemento ainda não identificado no discurso.
Para aprofundar a consulta sobre usos formais da língua e convenções ortográficas, é recomendável recorrer ao portal do Ministério da Educação, que reúne referências educacionais e conteúdos voltados ao ensino da língua portuguesa. Em textos oficiais, a coerência na escolha e na flexão dos numerais contribui para evitar ambiguidades.
Principais números ordinais para memorizar
A memorização das formas mais recorrentes facilita tanto a leitura quanto a produção textual. A lista abaixo reúne ordinais fundamentais, suas flexões e usos frequentes em classificação em português.
- 1º / 1ª: primeiro ou primeira. Exemplo: “A primeira proposta foi aprovada.”
- 2º / 2ª: segundo ou segunda. Exemplo: “O segundo turno ocorrerá no domingo.”
- 3º / 3ª: terceiro ou terceira. Exemplo: “Ela terminou em terceira colocação.”
- 4º / 4ª: quarto ou quarta. Exemplo: “O quarto capítulo apresenta os resultados.”
- 5º / 5ª: quinto ou quinta. Exemplo: “A quinta questão exige mais atenção.”
- 6º / 6ª: sexto ou sexta. Exemplo: “O sexto encontro será on-line.”
- 7º / 7ª: sétimo ou sétima. Exemplo: “O sétimo andar está em reforma.”
- 8º / 8ª: oitavo ou oitava. Exemplo: “A oitava edição recebeu novos autores.”
- 9º / 9ª: nono ou nona. Exemplo: “O nono item da pauta foi adiado.”
- 10º / 10ª: décimo ou décima. Exemplo: “O décimo aniversário será celebrado em setembro.”
- 20º / 20ª: vigésimo ou vigésima. Exemplo: “A vigésima participante foi chamada.”
- 100º / 100ª: centésimo ou centésima. Exemplo: “A centésima inscrição confirmou a lotação.”
Abreviações dos ordinais e formas de escrita
As abreviações são muito usadas em listas, tabelas, formulários, placas, documentos e identificações. No masculino, utiliza-se o símbolo “º”, como em 1º, 2º e 30º. No feminino, utiliza-se “ª”, como em 1ª, 2ª e 30ª. Esses sinais devem acompanhar o algarismo e refletem o gênero do substantivo: “3º lugar” e “3ª colocada”; “12º andar” e “12ª sala”.

Um erro recorrente é empregar o símbolo de grau, “°”, no lugar do indicador ordinal, “º”. Embora a aparência seja semelhante, os caracteres têm funções distintas. O sinal “°” é usado para graus de temperatura, ângulos e coordenadas, como em 25 °C ou 90°. Já o símbolo “º” indica masculino ordinal. Em textos revisados, essa diferença demonstra precisão tipográfica e gramatical.
Quando o ordinal é escrito por extenso, a concordância deve ser integral. Assim, “21ª edição” equivale a “vigésima primeira edição”, e “21º congresso” equivale a “vigésimo primeiro congresso”. Em situações formais, como certificados e regulamentos, escrever por extenso pode tornar o conteúdo mais claro, sobretudo quando há risco de leitura equivocada.
Há ainda o uso de algarismos romanos, comum em séculos, capítulos, nomes de monarcas, papas, congressos e eventos periódicos. O contexto orienta a leitura: “século XIX” é lido como “século dezenove” ou, em formulação tradicional, “século décimo nono”; “João Paulo II” é lido como “João Paulo Segundo”. A padronização dentro do mesmo documento é essencial para preservar a clareza.
Comparativo entre cardinal, ordinal e outras classificações
| Tipo de numeral | Função principal | Exemplo | Uso em frase |
|---|---|---|---|
| Cardinal | Indicar quantidade | dois, vinte, cem | “Dois relatórios foram entregues.” |
| Ordinal | Indicar posição ou ordem | segundo, vigésimo, centésimo | “O segundo relatório foi revisado.” |
| Multiplicativo | Indicar multiplicação | dobro, triplo, quádruplo | “A produção alcançou o dobro.” |
| Fracionário | Indicar parte de um todo | meio, terço, quarto | “Ele consumiu metade do conteúdo.” |
| Coletivo | Indicar conjunto numérico | dezena, dúzia, centena | “A dúzia de materiais chegou.” |
A comparação evidencia por que é inadequado usar um cardinal quando se deseja destacar posição. A frase “ele ficou dois no campeonato” não segue a norma-padrão; a forma correta é “ele ficou em segundo lugar no campeonato”. Em contrapartida, “ele conquistou dois troféus” está correto porque informa quantidade, e não classificação.
Dúvidas comuns sobre numerais ordinais
Quando devo usar números ordinais em vez de cardinais?
Use números ordinais quando a intenção for indicar ordem, posição, etapa ou colocação. Em “a quarta tentativa”, há uma sequência de tentativas; por isso, emprega-se ordinal. Use cardinais quando a ideia for quantidade, como em “quatro tentativas”. Em determinados nomes e expressões cristalizadas, o costume linguístico também influencia a escolha.
Qual é o correto: 1º ou 1°?
O correto para indicar numeral ordinal masculino é 1º, com o indicador ordinal “º”. O símbolo “°” representa grau e deve ser reservado para casos como temperatura ou medida angular. Para o feminino, utilize 1ª. A distinção é importante em comunicações formais, formulários e materiais didáticos.
Como escrever 21º e 21ª por extenso?
As formas corretas são “vigésimo primeiro” e “vigésima primeira”. Em frases, faça a concordância com o substantivo: “o vigésimo primeiro encontro” e “a vigésima primeira reunião”. Em plural, escreva “os vigésimos primeiros encontros” e “as vigésimas primeiras reuniões”.
É correto dizer décima primeira ou undécima?
As duas formas são corretas. “Décima primeira” é mais transparente e frequente no português brasileiro contemporâneo, enquanto “undécima” também é reconhecida e costuma aparecer em registros mais formais ou técnicos. O mesmo ocorre com “décima segunda” e “duodécima”. O ideal é escolher uma forma e manter a consistência no texto.
Os ordinais são sempre necessários após o décimo?
Não. Na fala cotidiana e em algumas enumerações, especialmente após o décimo, é comum usar cardinais para simplificar: “página onze”, “artigo vinte” ou “capítulo trinta”. Contudo, quando a norma do gênero textual, a tradição ou a necessidade de destacar a classificação exigirem, os ordinais continuam adequados: “vigésimo artigo” e “trigésimo capítulo”.
Considerações finais sobre o uso dos ordinais
Compreender os números ordinais é essencial para expressar posições e classificações com exatidão. Mais do que decorar primeiro e segundo, é necessário reconhecer a diferença entre ordem e quantidade, aplicar corretamente a concordância nominal e utilizar abreviações apropriadas. Essas práticas tornam a escrita mais clara e fortalecem a qualidade de trabalhos acadêmicos, documentos profissionais, textos jornalísticos e comunicações do dia a dia.
Ao revisar um texto, verifique se o numeral realmente indica posição, se concorda com o substantivo e se o símbolo empregado corresponde ao gênero correto. Com atenção a esses detalhes, o uso dos numerais ordinais se torna natural, preciso e plenamente alinhado à norma-padrão da língua portuguesa.
Fontes e materiais para consulta
- Academia Brasileira de Letras — Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.
- Ministério da Educação — Portal institucional e recursos educacionais.
- Cunha, Celso; Cintra, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. Lexikon.
- Bechara, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. Nova Fronteira.
- Volp — Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, edição em vigor.
Isenção de responsabilidade
Este artigo possui finalidade exclusivamente educativa e informativa. As explicações apresentadas refletem usos consolidados da gramática normativa e da comunicação formal em português brasileiro, mas podem existir variações de estilo conforme o contexto editorial, regional, acadêmico ou institucional. Para elaboração de documentos jurídicos, provas, publicações oficiais ou materiais que exijam padronização específica, recomenda-se consultar a norma aplicável, o manual de redação da instituição e profissionais qualificados da área de linguagem.
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Pesquisador, empresário e escritor focado em educação, orientação sobre negócios. Escreve sobre diversos assuntos com abordagem prática e acessível para o público brasileiro.