Português e Literatura

O Agente Passiva: Entenda a Forma Correta

A busca por o agente passiva é frequente entre estudantes que desejam compreender a estrutura das orações em língua portuguesa. Contudo, a denominação gramatical consagrada é agente da passiva. Trata-se do termo que indica quem pratica a ação verbal em uma oração construída na voz passiva analítica. Dominar esse conceito é indispensável para a análise sintática, a interpretação de textos, a produção escrita formal e a resolução de questões de vestibulares, concursos e avaliações escolares. Neste artigo, você entenderá a função do agente da passiva, sua relação com o sujeito paciente, os critérios de identificação e as principais diferenças entre voz ativa e voz passiva.

Agente da Passiva: Conceito e Função Sintática

O agente da passiva é o termo da oração que designa o ser responsável pela ação expressa pelo verbo quando a frase está na voz passiva analítica. Em geral, ele é introduzido pela preposição por, que pode aparecer contraída em formas como pelo, pela, pelos e pelas. Em determinados contextos, também pode ser introduzido pela preposição de, especialmente em construções que indicam origem, causa ou autoria.

Observe a oração: “O relatório foi elaborado pelos analistas.” Nela, “o relatório” recebe a ação de elaborar e, por isso, funciona como sujeito paciente. A locução verbal “foi elaborado” está na voz passiva, formada pelo verbo auxiliar ser e pelo particípio elaborado. Já “pelos analistas” revela quem executou a elaboração; portanto, é o agente da passiva.

Em termos sintáticos, o agente da passiva não deve ser confundido com o sujeito. Na voz ativa, o sujeito normalmente realiza a ação: “Os analistas elaboraram o relatório.” Ao transformar a oração em voz passiva, o objeto direto da construção ativa passa a ocupar a função de sujeito paciente: “O relatório foi elaborado pelos analistas.” Essa mudança de perspectiva permite dar maior destaque ao resultado, ao objeto afetado ou ao fato ocorrido, em vez de enfatizar o responsável pela ação.

A nomenclatura “o agente passiva” aparece em pesquisas na internet, mas não é a forma recomendada pela gramática normativa. O uso adequado é agente da passiva, pois o termo é agente da ação dentro de uma estrutura verbal passiva. Para consultas sobre classificação gramatical e terminologia linguística, é útil recorrer a fontes institucionais, como o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras.

Como Reconhecer a Estrutura da Voz Passiva

A voz passiva ocorre quando o sujeito sofre, recebe ou é afetado pela ação verbal. Na forma analítica, sua composição mais comum é: sujeito paciente + verbo auxiliar + particípio + agente da passiva. O particípio concorda, em gênero e número, com o sujeito paciente. Assim, em “As propostas foram aprovadas pela comissão”, o particípio “aprovadas” concorda com “as propostas”.

É importante notar que nem todo verbo admite transformação para a voz passiva. Em regra, essa passagem é possível com verbos transitivos diretos, pois eles apresentam objeto direto na voz ativa. Por exemplo: “A equipe organizou o evento” pode tornar-se “O evento foi organizado pela equipe”. Já verbos intransitivos, como nascer ou chegar, não possuem objeto direto e, consequentemente, não formam voz passiva analítica convencional.

Há ainda a voz passiva sintética, formada habitualmente pelo pronome apassivador se: “Vendem-se apartamentos.” Nessa construção, “apartamentos” é sujeito paciente, e o verbo concorda com ele. Entretanto, normalmente não se explicita o agente da passiva: não se diz, na estrutura original, quem vende os apartamentos. Por essa razão, o agente da passiva é muito mais característico e visível na passiva analítica.

Também é necessário distinguir a passiva sintética da indeterminação do sujeito. Em “Precisa-se de voluntários”, por exemplo, o verbo precisar exige preposição e não possui objeto direto; por isso, “de voluntários” não pode ser sujeito paciente. Nesse caso, o se funciona como índice de indeterminação do sujeito. A compreensão da regência verbal é decisiva para evitar classificações equivocadas.

Passo a Passo para Identificar o Agente da Passiva

  • Localize o verbo: verifique se há uma locução verbal formada por auxiliar, geralmente ser, seguido de particípio, como “foi publicado”, “serão avaliadas” ou “tinham sido enviadas”.
  • Encontre o sujeito paciente: identifique o termo que recebe a ação e que concorda com o verbo. Em “As cartas foram entregues pelo mensageiro”, “as cartas” é o sujeito paciente.
  • Procure a preposição: observe se há um termo iniciado por “por”, “pelo”, “pela”, “pelos” ou “pelas”. Frequentemente, esse segmento introduz o agente da passiva.
  • Pergunte quem praticou a ação: na frase “A decisão foi tomada pela diretoria”, pergunte “quem tomou a decisão?”. A resposta “a diretoria” corresponde ao agente da passiva.
  • Faça a conversão para a voz ativa: transforme a oração. “A decisão foi tomada pela diretoria” passa a “A diretoria tomou a decisão”. O agente da passiva torna-se o sujeito da voz ativa.
  • Não confunda com adjunto adverbial: expressões iniciadas por preposição nem sempre são agentes. Em “O documento foi enviado por e-mail”, “por e-mail” indica meio, não quem realizou a ação.
  • Analise o sentido completo: a classificação sintática depende tanto da forma quanto do significado. O agente deve representar efetivamente o responsável pela ação verbal.

Comparação Entre Voz Ativa e Voz Passiva

AspectoVoz ativaVoz passiva analítica
Foco principalQuem pratica a açãoQuem recebe a ação ou o resultado dela
SujeitoSujeito agenteSujeito paciente
Estrutura verbalVerbo em forma simples ou locução ativaAuxiliar ser + particípio
Termo responsável pela açãoO próprio sujeitoAgente da passiva, geralmente introduzido por “por”
Exemplo“A pesquisadora publicou o artigo.”“O artigo foi publicado pela pesquisadora.”
Objeto direto“O artigo” é objeto direto“O artigo” passa a ser sujeito paciente

A comparação evidencia que a transformação entre as vozes não é apenas uma troca de palavras. Ela altera a função sintática dos termos e o foco informativo da frase. Na comunicação científica, jornalística e administrativa, a voz passiva pode ser usada para valorizar procedimentos, resultados e documentos. Por exemplo, “Os dados foram analisados pela equipe técnica” destaca os dados e o processo de análise, enquanto a forma ativa destaca a equipe.

No entanto, a voz passiva não deve ser empregada de maneira excessiva. Em textos que exigem clareza e objetividade, sobretudo em comunicação institucional, muitas frases ativas são mais diretas. A escolha depende da intenção discursiva: se a autoria precisa ser enfatizada, a voz ativa costuma ser preferível; se o foco está no objeto, no efeito ou no evento, a passiva pode ser mais adequada.

Casos Especiais e Erros Comuns

Um erro recorrente consiste em chamar qualquer termo preposicionado de agente da passiva. A expressão “O vidro foi quebrado por acidente” não apresenta agente da passiva, porque “por acidente” indica circunstância ou causa, e não um ser que tenha praticado deliberadamente a ação. De modo semelhante, em “A estrada foi interditada por causa da chuva”, a locução aponta causa, não agente.

Outro equívoco é considerar que toda frase com particípio está na voz passiva. Em “Ela está preocupada”, o termo “preocupada” funciona como predicativo do sujeito, exprimindo estado, e não como parte de uma ação passiva necessariamente atribuível a alguém. Para reconhecer a voz passiva, é preciso avaliar se há uma ação sofrida pelo sujeito e se a locução verbal mantém valor verbal, não meramente adjetivo.

agente da passiva gramatica

Também merece atenção o emprego da preposição de. Na frase “A cidade estava cercada de montanhas”, “de montanhas” não é agente da passiva, pois as montanhas não executam conscientemente a ação de cercar; o segmento caracteriza a composição do entorno. Já em exemplos literários ou históricos, certas estruturas podem admitir análise contextual mais complexa. Por isso, a interpretação semântica deve acompanhar a identificação formal.

Para aprofundar o estudo da sintaxe e das variedades de uso da língua, materiais educacionais de instituições públicas são referências valiosas. O Ministério da Educação reúne informações e iniciativas relacionadas ao ensino, enquanto gramáticas reconhecidas oferecem o detalhamento normativo necessário para análises escolares e acadêmicas.

Perguntas Frequentes Sobre o Agente da Passiva

O que é agente da passiva?

O agente da passiva é o termo que indica quem realiza a ação verbal em uma oração na voz passiva. Geralmente, vem introduzido pela preposição “por” ou por suas contrações, como “pelo” e “pela”. Em “O prêmio foi recebido pela atleta”, “pela atleta” é o agente da passiva.

“O agente passiva” está correto?

A forma recomendada pela gramática é agente da passiva. A expressão “o agente passiva” é uma formulação comum em buscas digitais, mas não corresponde à denominação técnica utilizada na análise sintática e nos materiais didáticos de língua portuguesa.

Todo agente da passiva é introduzido pela preposição “por”?

Na maior parte dos casos, sim. A preposição “por” e suas formas contraídas são as marcas mais usuais. Contudo, podem existir construções com “de” em usos específicos. Ainda assim, é indispensável verificar se o termo realmente representa o executor da ação, e não uma causa, uma matéria, um instrumento ou uma circunstância.

Como transformar uma oração passiva em ativa?

O agente da passiva passa a ser o sujeito agente; o sujeito paciente torna-se objeto direto; e a locução verbal passiva é substituída por um verbo ativo equivalente. Assim, “Os documentos foram revisados pelos advogados” transforma-se em “Os advogados revisaram os documentos”.

Existe agente da passiva na voz passiva sintética?

Em geral, a voz passiva sintética não apresenta o agente expresso. Na oração “Publicam-se livros”, sabe-se que os livros são publicados, mas não se identifica quem os publica. Caso seja necessário mencionar o responsável, a voz passiva analítica tende a ser mais adequada: “Os livros são publicados pela editora”.

Conclusão: Domine o Uso do Agente da Passiva

Compreender o agente da passiva permite analisar orações com mais segurança e aprimorar a qualidade da escrita. Embora a pesquisa pela expressão o agente passiva seja comum, o termo correto é agente da passiva: o complemento que aponta o responsável pela ação em uma estrutura de voz passiva analítica. Para identificá-lo, observe a presença do sujeito paciente, da locução formada por auxiliar e particípio e, principalmente, de um termo preposicionado que responda à pergunta “por quem a ação foi praticada?”.

A prática de converter frases entre voz ativa e voz passiva é uma estratégia eficiente para consolidar o conteúdo. Além de facilitar a análise sintática, esse exercício mostra como a escolha da voz verbal modifica a ênfase da mensagem. Ao reconhecer as funções de sujeito, objeto direto, particípio e agente da passiva, o estudante desenvolve leitura mais precisa e maior domínio da norma-padrão.

Referências para Estudo e Consulta

  • ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP). Disponível em: academia.org.br. Acesso em: 4 ago. 2026.
  • BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.
  • CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. Rio de Janeiro: Lexikon.
  • MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Portal institucional e conteúdos educacionais. Disponível em: gov.br/mec. Acesso em: 4 ago. 2026.
  • HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva.

Isenção de Responsabilidade

Este conteúdo possui finalidade exclusivamente educacional e informativa. As explicações seguem princípios amplamente aceitos da gramática normativa brasileira, mas determinadas construções podem receber interpretações diferentes conforme o contexto, a abordagem linguística adotada e a obra de referência consultada. Para atividades avaliativas, trabalhos acadêmicos ou dúvidas específicas de análise sintática, recomenda-se verificar as orientações do professor, da instituição de ensino e da gramática indicada no respectivo programa.

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Stéfano Barcellos

Pesquisador, empresário e escritor focado em educação, orientação sobre negócios. Escreve sobre diversos assuntos com abordagem prática e acessível para o público brasileiro.

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