Proibido ou Proibida: Guia Completo de Concordância
A dúvida entre proibido ou proibida é muito comum na escrita formal e aparece em placas, avisos, documentos, provas e conversas cotidianas. A escolha correta depende principalmente da presença de artigo ou outro determinante antes do substantivo a que a palavra se refere. Embora pareça um detalhe pequeno, esse caso envolve uma regra importante de concordância nominal. Saber aplicá-la ajuda a produzir frases mais claras, corretas e adequadas à gramática normativa, especialmente em contextos profissionais, acadêmicos e institucionais.
Quando usar proibido ou proibida na concordância nominal
A palavra “proibido” pode funcionar como adjetivo, qualificando algo cuja realização, entrada, presença ou prática não é permitida. Nessa função, ela deve, em princípio, concordar em gênero e número com o substantivo: “A entrada é proibida”, “As fotografias são proibidas”, “O consumo é proibido” e “Os acessos são proibidos”.
Entretanto, há uma particularidade decisiva. Quando o substantivo é usado de forma genérica, sem artigo, pronome possessivo, pronome demonstrativo ou outro determinante, “proibido” tende a permanecer no masculino singular. Assim, as formas recomendadas são “É proibido entrada”, “É proibido bebida alcoólica” e “É proibido conversas durante a prova”, em construções de aviso ou norma geral. Nesses casos, a expressão apresenta valor mais impessoal e generalizante.
Ao surgir um determinante, a concordância passa a ser exigida. Compare: “É proibida a entrada” e “É proibida esta entrada”. O artigo “a” e o pronome “esta” tornam o substantivo determinado; por isso, o predicativo precisa concordar com ele. O mesmo ocorre em “É proibido o acesso” e “É proibido este acesso”.
Essa regra não se limita ao termo “proibido”. O mesmo padrão aparece em expressões como “é bom”, “é necessário”, “é preciso” e “é permitido”. Por exemplo: “Água é bom para a saúde”, em emprego genérico, mas “A água é boa para a saúde”, quando o substantivo vem acompanhado de artigo. Conforme orientações de descrição e consulta da língua portuguesa divulgadas pela Academia Brasileira de Letras, a análise do contexto e da função das palavras é essencial para reconhecer a forma adequada.
É importante observar que, na comunicação real, placas e avisos muitas vezes usam estruturas reduzidas, como “Proibida entrada” ou “Proibido fumar”. A primeira pode estar correta se houver uma elipse facilmente recuperável, equivalente a “Entrada proibida”; a segunda apresenta o infinitivo “fumar” como núcleo e não levanta questão de gênero. Ainda assim, em textos que exigem maior rigor, convém optar por construções completas e inequivocamente corretas.
A regra prática das expressões impessoais
Para decidir entre proibido ou proibida, é útil identificar se o substantivo está determinado. Em “É proibido entrada”, “entrada” tem sentido amplo: a frase se refere à ação de entrar de modo geral. Já em “É proibida a entrada”, fala-se de uma entrada específica, identificada pelo artigo. A alteração não é apenas visual; ela modifica a estrutura sintática e ativa a concordância do predicativo.
Em avisos institucionais, a versão sem artigo é comum por ser breve e ter caráter normativo: “É proibido estacionamento”, “É proibido animais” e “É proibido crianças desacompanhadas”. Contudo, algumas dessas construções podem soar pouco naturais ou gerar ambiguidade. Para uma redação mais fluida, é preferível usar substantivos abstratos ou verbos no infinitivo: “É proibido estacionar”, “Não é permitida a entrada de animais” e “É proibida a permanência de crianças desacompanhadas”.
Também é necessário diferenciar o predicativo “proibido” do adjetivo posposto ao substantivo. Em “Entrada proibida”, “proibida” concorda diretamente com “entrada”. Não há artigo nem necessidade de analisar uma expressão impessoal, pois a palavra integra um sintagma nominal. Da mesma forma, escrevem-se “Área proibida”, “Produtos proibidos” e “Substâncias proibidas”.
As gramáticas classificam esse fenômeno como um caso de concordância em construções com sujeito oracional ou substantivo de valor genérico. Para aprofundar o estudo das classes gramaticais e das relações de concordância, materiais educacionais do Ministério da Educação podem servir como ponto de partida, especialmente quando associados à leitura de gramáticas normativas e ao acompanhamento de usos textuais reais.
Situações para acertar o uso de proibido ou proibida
- Sem determinante: use geralmente “proibido” no masculino singular. Exemplo: “É proibido entrada após o início do evento.”
- Com artigo definido ou indefinido: faça a concordância. Exemplo: “É proibida a entrada após o início do evento.”
- Com pronome demonstrativo: concorde com o termo determinado. Exemplo: “É proibida esta conduta.”
- Com pronome possessivo: aplique a concordância normal. Exemplo: “É proibida sua permanência no local.”
- Com substantivo masculino: use “proibido” quando houver singular masculino. Exemplo: “É proibido o acesso à área técnica.”
- Com plural determinado: flexione em número e gênero. Exemplo: “São proibidas as filmagens durante a sessão.”
- Com infinitivo: mantenha a forma masculina singular. Exemplo: “É proibido fumar”, “É proibido estacionar” e “É proibido fotografar.”
- Em placas curtas: prefira construções diretas. Exemplo: “Entrada proibida”, “Acesso proibido” ou “Proibido fumar”.
Um cuidado relevante é não transformar a regra em uma fórmula mecânica sem considerar o sentido. A frase “É proibida bebida alcoólica” pode ser analisada como aceitável se “bebida alcoólica” estiver determinada por um contexto muito claro, mas a norma-padrão costuma recomendar “É proibido bebida alcoólica” para o emprego genérico ou “É proibido o consumo de bebida alcoólica” para maior precisão. Em comunicações públicas, a segunda alternativa evita interpretações divergentes.
Comparativo de formas corretas e contextos de uso
| Estrutura | Forma recomendada | Justificativa |
|---|---|---|
| Substantivo feminino sem artigo | É proibido entrada. | “Entrada” é empregado genericamente, sem determinante. |
| Substantivo feminino com artigo | É proibida a entrada. | O artigo “a” determina o substantivo e exige feminino singular. |
| Substantivo masculino com artigo | É proibido o acesso. | “Acesso” é masculino e está determinado por “o”. |
| Substantivo feminino plural determinado | São proibidas as visitas. | Há concordância com “visitas”, feminino plural. |
| Verbo no infinitivo | É proibido fumar. | O infinitivo exerce função substantiva; usa-se a forma invariável. |
| Adjetivo após o substantivo | Entrada proibida. | O adjetivo concorda diretamente com “entrada”. |
A tabela evidencia que a dúvida não deve ser resolvida apenas pela palavra imediatamente posterior a “é”. É preciso verificar se há determinação do substantivo e qual é a construção sintática. Esse procedimento evita erros recorrentes, como escrever “É proibida fumar” ou “É proibido a entrada”. No primeiro caso, o infinitivo pede “proibido”; no segundo, o artigo feminino exige “proibida”.

Dúvidas recorrentes sobre essa concordância
É proibido a entrada ou é proibida a entrada?
A forma correta é “É proibida a entrada”. O artigo feminino “a” determina o substantivo “entrada”, exigindo que “proibida” concorde em gênero e número com ele.
Posso escrever “é proibido entrada”?
Sim. A construção é aceita quando “entrada” é usada em sentido genérico e sem determinante. Apesar disso, em textos formais, “É proibida a entrada” ou “É proibido entrar” costuma ser mais claro, conforme a intenção comunicativa.
Por que se escreve “é proibido fumar”?
Porque “fumar” é um verbo no infinitivo empregado com valor substantivo. Nessa estrutura, “proibido” permanece no masculino singular: “É proibido fumar”, “É proibido correr” e “É proibido tocar nos equipamentos”.
“Entrada proibida” está correto?
Sim, está correto. Nessa construção, “proibida” é um adjetivo que acompanha diretamente o substantivo feminino “entrada”. O mesmo mecanismo aparece em “circulação proibida” e “acesso restrito”.
O plural também precisa concordar?
Sim. Havendo substantivo determinado no plural, a concordância é obrigatória: “São proibidos os celulares”, “São proibidas as conversas” e “São proibidas as entradas laterais”. Sem determinante e em sentido genérico, pode ocorrer a forma invariável em certas expressões, mas a reescrita clara é recomendável.
Como escrever com segurança em avisos e textos formais
Para usar proibido ou proibida corretamente, identifique primeiro o núcleo da mensagem. Se a intenção for proibir uma ação, o infinitivo é uma solução simples: “É proibido consumir alimentos”, “É proibido utilizar o elevador” e “É proibido permanecer nesta área”. Se o objetivo for destacar um substantivo, determine-o adequadamente e faça a concordância: “É proibida a entrada sem credencial” ou “São proibidos os objetos cortantes”.
Em síntese, “proibido” tende a ficar invariável nas expressões impessoais com substantivo não determinado ou com infinitivo; “proibida”, “proibidos” e “proibidas” aparecem quando o termo substantivo vem determinado e exige concordância. Dominar essa regra melhora a qualidade de placas, e-mails, regulamentos, redações e conteúdos digitais. Mais do que decorar exemplos, é fundamental compreender a relação entre determinação, gênero, número e sentido geral da frase.
Fontes para consulta e aprofundamento
- Academia Brasileira de Letras — Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.
- Ministério da Educação — conteúdos e políticas educacionais.
- CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. Rio de Janeiro: Lexikon.
- BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.
Isenção de responsabilidade
Este artigo tem finalidade educacional e informativa. As explicações refletem orientações usuais da gramática normativa do português brasileiro, mas escolhas de redação podem variar conforme o gênero textual, o contexto regional, o manual de estilo e a finalidade da comunicação. Para provas, documentos oficiais, textos acadêmicos ou questões que exijam parecer especializado, recomenda-se consultar uma gramática de referência, o edital aplicável ou um profissional de revisão linguística.
Compartilhar este post
Pesquisador, empresário e escritor focado em educação, orientação sobre negócios. Escreve sobre diversos assuntos com abordagem prática e acessível para o público brasileiro.