Português e Literatura

Voz Passiva: Guia Completo com Exemplos

A voz passiva é uma construção essencial da gramática da língua portuguesa e aparece com frequência em textos jornalísticos, científicos, acadêmicos, jurídicos e literários. Ela permite destacar quem sofre, recebe ou é afetado pela ação verbal, deslocando o foco que, na voz ativa, normalmente recai sobre quem executa a ação. Dominar esse recurso favorece a interpretação de enunciados, a revisão textual e a produção de uma escrita mais precisa, coesa e adequada a diferentes finalidades comunicativas.

Entenda o que é voz passiva

Na voz passiva, o sujeito não pratica a ação expressa pelo verbo: ele a recebe. Por isso, recebe o nome de sujeito paciente. Observe a frase na voz ativa: “Os pesquisadores desenvolveram o relatório”. Nela, “os pesquisadores” é o sujeito agente, pois realiza a ação de desenvolver. Ao transformar o enunciado em “O relatório foi desenvolvido pelos pesquisadores”, o foco passa para “o relatório”, que recebe a ação e se torna sujeito paciente.

Essa alteração não é apenas uma troca de posição entre termos. A transposição exige ajustes na estrutura verbal, na concordância e na função sintática dos elementos. Na forma passiva analítica, o objeto direto da oração ativa passa a desempenhar a função de sujeito paciente. O sujeito da ativa, quando se deseja mencioná-lo, passa a ser introduzido geralmente pela preposição “por”, formando o agente da passiva.

A voz passiva é particularmente útil quando o resultado de uma ação é mais importante do que seu responsável. Em “A nova norma foi publicada ontem”, a informação central é a publicação da norma. O autor da ação pode ser conhecido, irrelevante, indeterminado ou estrategicamente omitido. Por essa razão, a estrutura é recorrente em comunicados institucionais, notícias e relatórios técnicos.

De acordo com descrições gramaticais tradicionais e contemporâneas, a passivização está ligada principalmente a verbos transitivos diretos, porque eles admitem objeto direto, termo que poderá tornar-se sujeito paciente. Para aprofundar a consulta sobre usos e normas do idioma, vale recorrer ao conteúdo institucional da Academia Brasileira de Letras, especialmente em dúvidas de vocabulário e registro formal.

Voz passiva analítica

A voz passiva analítica é formada, em regra, pelo verbo auxiliar “ser” conjugado no mesmo tempo e modo do verbo principal da voz ativa, seguido do particípio do verbo principal. A estrutura básica é: sujeito paciente + verbo ser + particípio + agente da passiva. Exemplo: “A proposta será avaliada pela comissão”. O sujeito paciente é “a proposta”; “será avaliada” constitui a locução verbal passiva; e “pela comissão” é o agente da passiva.

O particípio deve concordar em gênero e número com o sujeito paciente: “As propostas serão avaliadas”; “O documento foi enviado”; “Os documentos foram enviados”. Esse ponto é decisivo em exercícios de gramática e na escrita formal. Também é necessário preservar o tempo verbal: “A equipe analisou os dados” transforma-se em “Os dados foram analisados pela equipe”; “A equipe analisará os dados” torna-se “Os dados serão analisados pela equipe”.

Voz passiva sintética ou pronominal

A voz passiva sintética, também chamada de pronominal, é construída com verbo transitivo direto ou transitivo direto e indireto acompanhado da partícula “se”, denominada partícula apassivadora. Em “Vendem-se apartamentos”, “apartamentos” é o sujeito paciente e o verbo “vendem” concorda com ele no plural. A ideia corresponde a “Apartamentos são vendidos”.

É importante não confundir essa construção com o índice de indeterminação do sujeito. Em “Precisa-se de profissionais”, o verbo “precisar” exige a preposição “de”; portanto, “de profissionais” é objeto indireto, e não sujeito paciente. Nesse caso, “se” indetermina o sujeito, e o verbo permanece obrigatoriamente no singular. Já em “Precisam-se profissionais qualificados”, sem a preposição e com “profissionais” como objeto direto, há voz passiva sintética, sendo correto o plural verbal.

O reconhecimento correto depende da regência do verbo e da análise da função do termo que o acompanha. Materiais educativos ligados à área de educação do Ministério da Educação podem complementar os estudos de língua portuguesa em contextos escolares, mas a análise da oração deve sempre considerar o enunciado específico.

Como fazer a transposição de voz

A transposição de voz consiste em converter uma oração da voz ativa para a passiva ou, em alguns casos, realizar o caminho inverso. Para fazer a mudança com segurança, identifique primeiro o sujeito, o verbo e o objeto direto da frase original. Em seguida, leve o objeto direto à posição de sujeito paciente, ajuste a locução com o verbo “ser” e o particípio, e transforme o antigo sujeito em agente da passiva.

Considere: “A editora lançará o livro em setembro”. O sujeito agente é “a editora”; o verbo é “lançará”; o objeto direto é “o livro”. Na voz passiva analítica, temos: “O livro será lançado pela editora em setembro”. O tempo futuro foi preservado em “será”, e o particípio “lançado” concordou com “o livro”. A circunstância de tempo, “em setembro”, foi mantida.

Nem toda frase pode ser transposta diretamente. Verbos intransitivos, de ligação e transitivos indiretos não formam voz passiva analítica regular, pois não apresentam objeto direto capaz de assumir a posição de sujeito paciente. Assim, “Os estudantes chegaram cedo” não admite a forma “Cedo foi chegado pelos estudantes”. Da mesma maneira, “Ela gosta de música” não se transforma em “Música é gostada por ela” no uso padrão recomendado para exercícios gramaticais.

A escolha entre voz ativa e voz passiva deve atender à intenção comunicativa. A ativa tende a ser mais direta: “A prefeitura reformou a praça”. A passiva enfatiza o resultado ou o elemento afetado: “A praça foi reformada pela prefeitura”. Em textos claros, não convém empregar a passiva apenas para tornar a redação mais sofisticada. Seu uso é eficaz quando o foco no paciente produz ganho real de informação, organização ou objetividade.

Elementos essenciais para reconhecer a construção

  • Sujeito agente: termo que executa a ação na voz ativa. Em “Os alunos resolveram a atividade”, “os alunos” é o sujeito agente.
  • Sujeito paciente: termo que recebe a ação na voz passiva. Em “A atividade foi resolvida pelos alunos”, “a atividade” é o sujeito paciente.
  • Agente da passiva: termo que indica quem realiza a ação na estrutura passiva, normalmente introduzido por “por” ou “de”. Exemplo: “O prêmio foi recebido pelo atleta”.
  • Verbo auxiliar: na passiva analítica, o verbo “ser” marca o tempo, o modo, o número e a pessoa da locução verbal.
  • Particípio: forma verbal que acompanha o auxiliar e concorda com o sujeito paciente, como “escrito”, “escrita”, “escritos” e “escritas”.
  • Partícula apassivadora: o “se” empregado com verbo transitivo direto na voz passiva sintética, como em “Alugam-se casas”.
  • Concordância verbal: na passiva sintética, o verbo concorda com o sujeito paciente. Por isso, “Publicam-se editais” está adequado, enquanto “Publica-se editais” não segue a norma-padrão.
voz passiva gramatica

Comparação entre voz ativa e voz passiva

AspectoVoz ativaVoz passiva analíticaVoz passiva sintética
Foco principalQuem pratica a açãoQuem recebe a açãoQuem recebe a ação
Exemplo“A equipe revisou o texto.”“O texto foi revisado pela equipe.”“Revisam-se textos.”
Estrutura verbalVerbo principal conjugado“Ser” + particípioVerbo + “se”
SujeitoSujeito agenteSujeito pacienteSujeito paciente posposto ou anteposto
Agente da açãoGeralmente explícito como sujeitoPode aparecer com “por”Em geral, não é expresso
ConcordânciaCom o sujeito agenteAuxiliar e particípio com o sujeito pacienteVerbo com o sujeito paciente

Dúvidas comuns sobre voz passiva

O que é sujeito paciente?

O sujeito paciente é o termo que sofre, recebe ou é afetado pela ação verbal. Na frase “As decisões foram aprovadas pelo conselho”, “as decisões” é sujeito paciente porque recebe a ação de aprovar. Ele ocupa a função de sujeito, embora não execute a ação.

Todo verbo pode ser usado na voz passiva?

Não. Em geral, apenas verbos transitivos diretos, ou transitivos diretos e indiretos, podem formar voz passiva, pois possuem objeto direto. Verbos intransitivos, de ligação e transitivos indiretos não admitem a conversão regular, porque não apresentam um objeto direto que possa ser promovido a sujeito paciente.

Como identificar o agente da passiva?

O agente da passiva indica quem realizou a ação sofrida pelo sujeito paciente. Costuma ser introduzido pelas preposições “por” ou “de”, com suas contrações: “pelo”, “pela”, “pelos”, “pelas”. Em “A cidade foi cercada pelas águas”, “pelas águas” exerce essa função.

Qual é a diferença entre “vendem-se casas” e “precisa-se de funcionários”?

Em “Vendem-se casas”, existe voz passiva sintética: “casas” é sujeito paciente, e o verbo concorda no plural. Em “Precisa-se de funcionários”, “de funcionários” é objeto indireto, porque o verbo “precisar”, nesse sentido, exige a preposição “de”. Assim, o “se” indetermina o sujeito, e o verbo fica no singular.

Por que a voz passiva é importante na redação?

A voz passiva permite controlar a ênfase informativa do texto. Ela é útil quando o fato, o produto, o documento ou a pessoa afetada pela ação deve receber destaque. Em redações formais, seu uso consciente contribui para a objetividade, mas o excesso pode deixar os períodos longos e menos diretos. Alternar estruturas é uma estratégia de estilo eficaz.

Conclusão: use a voz passiva com precisão

Compreender a voz passiva é fundamental para analisar a sintaxe, interpretar textos e construir enunciados adequados ao padrão formal da língua portuguesa. A voz passiva analítica, formada por “ser” mais particípio, evidencia o sujeito paciente e pode apresentar o agente da passiva. A forma sintética, por sua vez, usa a partícula apassivadora “se” e exige atenção especial à concordância verbal.

Ao realizar a transposição de voz, verifique se há objeto direto, preserve o sentido e o tempo verbal, e ajuste corretamente a concordância. Mais do que decorar fórmulas, o estudante deve perceber o efeito comunicativo de cada construção. A voz ativa destaca o agente; a passiva enfatiza o alvo da ação. Escolher entre elas de modo consciente torna a escrita mais clara, flexível e eficiente.

Referências para aprofundamento

  • ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Nossa Língua: busca no vocabulário. Acesso em: 4 ago. 2026.
  • BRASIL. Ministério da Educação. Portal institucional do MEC. Acesso em: 4 ago. 2026.
  • BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.
  • CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. Rio de Janeiro: Lexikon.
  • HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva.

Isenção de responsabilidade

Este artigo tem finalidade exclusivamente educacional e informativa. As explicações apresentam usos consolidados da gramática normativa brasileira, mas algumas construções podem receber descrições distintas conforme a corrente linguística, o contexto de uso e a obra de referência consultada. Para provas, concursos, trabalhos acadêmicos ou aplicações editoriais específicas, recomenda-se observar o edital, o manual de redação ou a gramática adotada pela instituição responsável.

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Stéfano Barcellos

Pesquisador, empresário e escritor focado em educação, orientação sobre negócios. Escreve sobre diversos assuntos com abordagem prática e acessível para o público brasileiro.

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